O primeiro livro romântico popular descreve personagens urbanos do Rio de Janeiro
Joaquim Manuel de Macedo foi o primeiro autor de prosa romântica a alcançar popularidade. Seu estilo coloquial e divertido agradou ao novo público constituído de jovens senhoras e estudantes. Seu primeiro romance, A Moreninha, pertence ao gênero do romance urbano.
O escritor, formado em Medicina no Rio de Janeiro, ambientou A Moreninha na Corte carioca. Os quatro personagens principais são estudantes de Medicina que vivem em uma república. Filipe aposta que Augusto, namorador, irá se apaixonar por uma das jovens presentes na ilha onde o grupo passa o fim de semana. Leopoldo e Fabrício são testemunhas da aposta. Augusto se apaixona pela inteligente e voluntariosa Carolina, conhecida como a Moreninha, e perde a aposta.
Os enredos de Macedo foram muitas vezes condenados por apresentar excessiva frivolidade. Por outro lado, foi reconhecida a inovação do autor no uso de uma linguagem coloquial e irônica. Não se discute, no entanto, o fato de que a função de suas obras era entreter o público. O mundo é visto por lentes cor de rosa, que disfarçam os conflitos humanos mais complexos e profundos e separam perfeitamente o mal do bem, que sempre triunfa.
Do ideal ao artificial
Muitos seguidores do movimento literário exageraram na dose
O mundo idealizado dos autores românticos deu origem a uma linguagem esteriotipada, que pode ser percebida nos romances de Joaquim Manuel de Macedo e nos outros autores da época. Um deles é Bernardo Guimarães, criador de A Escrava Isaura. Confira um trecho do famoso romance:
" - Pobre Isaura! - disse Álvaro com voz comovida, estendendo os braços à cativa. - Chega-te a mim... Eu protestei no fundo de minha alma e por minha honra desafrontar-te do jugo opressor e aviltante, que te esmagava, porque via em ti a pureza de um anjo, e a nobre e altiva resignação da mártir. Foi uma missão santa, que julgo ter recebido do céu, e que hoje vejo coroada do mais feliz e completo resultado.
Deus enfim, por minhas mãos vinga a inocência e a virtude oprimida, e esmaga o algoz.
- Deixe-se de blasonar, senhor! - gritou Leôncio agitando-se em gesticulações de furor: - isto não passa
de uma infâmia, uma traião, e ladroeira...
- Isaura! - continuou Álvaro com voz sempre firme e grave: - se esse algoz ainda há pouco tinha em suas mãos a tua liberdade e a tua vida, e não tas cedia senão com a condição de desposares um ente disforme e desprezível, agora tens nas tuas a sua propriedade; sim, que as tenho nas minhas, e as passo para as tuas. Isaura, tu és hoje a senhora, e ele o escravo; se não quiser mendigar o pão, há de recorrer à nossa generosidade.
- Senhor! - exclamou Isaura correndo a lançar-se aos pés de Álvaro; - oh quanto sois bom e generoso para com esta infeliz escrava!... mas em nome dessa mesma generosidade, de joelhos eu vos peço, perdão! perdão para eles...
(Bernardo Guimarães, A Escrava Isaura)
Autor de várias faces
José de Alencar explorou todas as possibilidades do romantismo
Os romances urbanos também estão bem representados por José de Alencar, que descreveu a sociedade carioca. Embora mantivesse uma imagem idealizada desse contexto, ele abordou conflitos sobre a posição social, dinheiro e amor. Destaca-se o romance Senhora, que trata do conflito entre o amor e o dinheiro. A protagonista, Aurélia, é um dos tipos mais marcantes da obra do escritor. Outros romances urbanos de Alencar são Lucíola, Cinco Minutos, A Pata da Gazela, A Viuvinha e Diva.
Outra vertente explorada por Alencar, além do indianismo já citado, é a dos romances históricos. Um exemplo é a Guerra dos Mascates, sobre o confronto entre brasileiros e europeus em Pernambuco.
Buscando dar forma a uma identidade nacional pela descrição das características do vasto território brasileiro, o escritor também criou romances regionalistas. O Gaúcho tem como cenário os pampas, enquanto O Sertanejo se passa nas terras inóspitas do Nordeste, À maneira do que ocorre com seus romances indianistas, Alencar idealiza os heróis nessas obras, aproximando-os de cavaleiros medievais honrados e virtuosos.
A Moreninha
Joaquim Manuel de Macedo
1
Aposta Imprudente
(...)
- O que quiserem... Serei incorrigível, romântico ou velhaco, não digo o que sinto, não sinto o que digo, ou mesmo digo o que não sinto; sou infim, mau e perigoso, e vocês inocentes e anjinhos. Todavia, eu a ninguém escondo os sentimentos que ainda há pouco mostrei: em toda a parte confesso que sou volúvel, inconstante e incapaz de amar três dias um mesmo objeto; verdade seja que nada há mais fácil do que me ouvirem um "eu vos amo", mas também a nenhuma pedi ainda que me desse fé; pelo contrário, digo a todas o como sou; e se, apesar de tal, sua vaidade é tanta que se suponham inesquecíveis, a culpa, certo que não é minha. Eis o que faço. E vós, meus caros amigos, que blasonais de firmeza de rochedo, que jurais amor eterno cem vezes por ano a cem diversas belezas... sois tanto ou ainda mais inconstantes que eu!... Mas entre nós há sempre uma grande diferença; vós enganais e eu desengano; eu digo a verdade e vós, meus senhores, mentis...
- Está romântico!... Está romântico!... exclamaram os três, rindo às gargalhadas.
(...)
Augusto escreveu primeira, segunda e terceira vez o termo aposta, mas depois de longa e vigorosa discussão, em que qualquer dos quatro falou duas vezes sobre a matéria, uma para responder e dez ou doze pela ordem; depois de se oferecerem quinze emendas e vinte artigos aditivos, caiu tudo por grande maioria, e entre bravos, apoiados e aplausos, foi aprovado, salva a redação, o seguinte termo:
"No dia 20 de julho de 18... na sala parlamentar da casa n... da rua de... sendo testemunhas os estudantes Fabrício e Leopoldo, acordaram Filipe e Augusto, também estudantes, que, se até o dia 20 de agosto do corrente ano o segundo acordante tiver amado a uma só mulher durante quinze dias ou mais, será obrigado a escrever um romance em que tal acontecimento confesse; e, no caso contrário, igual pena sofrerá o primeiro acordante. Sala parlamentar, 20 de julho de 18... Salva a redação."
Como testemunhas: Fabrício e Leopoldo.
Acordantes: Filipe e Augusto.
E eram oito horas da noite quando se levantou a sessão.
(...)
(Joaquim Manuel de Macedo, A Moreninha)
Atividade
01.Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas do texto a seguir, na ordem em que aparecem.
O primeiro romance brasileiro foi O Filho do Pescador, de Teixeira e Sousa. Foi, entretanto,.............. o responsável pelo surgimento do verdadeiro romance brasileiro, com................ . Ao fixar os costumes da sociedade carioca do seu tempo, atendendo às expectativas burguesas, este autor adquou o romance romântico.....................aos cenários............... e às normas patriarcais.
a) Joaquim Manuel de Macedo - O Moço Loiro - brasileiro - urbanos.
b) José de Alencar - Lucíola - europeu - locais.
c) Visconde de Taunay - Inocência - brasileiro - rurais.
d) Joaquim Manuel de Macedo - A Moreninha - europeu - locais.
e) José de Alencar - Senhora - europeu - urbanos.
02."Sociedade, no meio da qual me eduquei, fez de mim um homem à sua feição. Habituei-me a considerar a riqueza como a primeira força viva da existência e os exemplos ensinavam-me que o casamento era meio tão legítimo de adquiri-la, como a herança e qualquer honesta especulação."
No enredo de Senhora, tal como se depreende do trecho transcrito, há uma aproximação entre o casamento e
a) recomendações divulgadas pela igreja.
b) normas impostas aos escravos.
c) costumes copiados dos indígenas.
d) leis do tempo da colônia.
e) práticas da organização social burguesa.
FIM
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Romantismo - Prosa: Indianismo
Os escritores da época estimularam o mito romântico da fundação nacional
Como ocorreu na poesia, a prosa romântica brasileira cultivou o tema do indianismo, retratando o índio como um "bom selvagem" que ajudaria a compor nossa nacionalidade. Além do indianismo, que se insere no sentimento mais amplo do nacionalismo, foi explorada a temática social. Como características de composição na prosa romântica, também ganharam espaço a subjetividade, a idealização e o sentimentalismo. Algumas atitudes, no entanto, perderam um pouco da presença, como no caso da evasão pela morte, já que o crescente público de leitores preferia os finais felizes.
Um dos principais representantes da vertente indianista do movimento romântico é o romance Iracema, de José de Alencar. A narrativa estrutura-se em torno da história do amor de Martim por Iracema. O personagem Martim é baseado em uma figura histórica real - Martim Soares Moreno, o primeiro colonizador português do Ceará. Ele representa o português que levaria até os índios, dentro da mentalidade da época, uma cultura civilizada e a fé cristã. Iracema, a "virgem dos lábios de mel", é uma jovem índia tabajara. A relação entre os dois simboliza a união entre a cultura europeia, civilizada, e os valores indígenas, apresentados como naturalmente bons. Trata-se de uma espécie de mito de fundação da identidade brasileira.
O romance é escrito em prosa poética. Uma das habilidades de José de Alencar é representar o pensamento dos nativos por meio de uma linguagem repleta de imagens e metáforas. Sabe-se que os indígenas brasileiros possuíam mitologia própria ampla e requintada. Eles se valiam dos mitos para explicar o mundo. Desse ponto de vista, o pensamento imagético do nativo estava, portanto, próximo da poesia.
Outros romances indianistas de autoria de José de Alencar são Ubirajara, sobre lutas entre nações indígenas antes do contato com os colonizadores europeus, e o Guarani, que retrata indígenas, entre eles o famoso herói Peri, um índio que se apaixona por Cecília, filho de um fidalgo português. Esse fidalgo abriga em sua propriedade portugueses ilustres e mercenários que estão à procura de ouro e prata. Acidentalmente, Diogo, irmão de Cecília, mata uma índia, e inicia-se um cerco à propriedade do português. O pai de Cecília convence Peri a se converter ao cristianismo e a fugir com ela dali, a fim de salvá-la. O português explode tudo, matando índios e portugueses, enquanto Peri e Cecília fogem, simbolizando a união dois dois povos.
Prosa variada
A origem no folhetim e os vários tipos de romance
O gênero romance surgiu como herdeiro dos folhetins, histórias publicadas em capítulos em jornais e revistas. Antes das novelas de autoria de brasileiros, os folhetins eram trazidos de originais europeus. Considera-se que a primeira obra da prosa romântica brasileira é O Filho do Pescador, de Teixeira e Sousa. A primeira a se tornar popular, contudo, foi A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo. A popularidade atravessaria o tempo, e no século 20 o romance renderá um filme com Sônia Braga no papel principal e duas telenovelas.
Os primeiros romances românticos repetiram algumas características do folhetim, como o desfecho feliz e o enredo longo e cheio de reviravoltas envolvendo os personagens, sempre idealizados.
Além do romance indianista, bem representado neste capítulo pelo exemplo de Iracema, de José de Alencar, surgiram no período romântico brasileiro o romance urbano e o romance regionalista.
O romance urbano retratou personagens em situações cotidianas ou ocasiões especiais, como festas e passeios. As personagens femininas ganharam peso nesse gênero, muitas vezes protagonizando as histórias e tratadas com mais densidade psicológica. Dois representantes desse gênero são o próprio José de Alencar e Joaquim Manuel de Macedo.
Já o romance regionalista cobriu áreas específicas do Brasil, retratando aspectos de suas sociedades. Entre os autores estão, mais uma vez, José de Alencar, que escreveu sobre a zona rural do Rio de Janeiro e outros estados, e Franklin Távora, que abordou temas do Nordeste.
Atividade
01."Verdes mares bravios de minha terra natal, onde canta a jandaia nas frondes da carnaúba; Verdes mares que brilhais como líquida esmeralda aos raios do sol nascente, perlogando as alvas praias ensombradas de coqueiros; Serenai, verdes mares, e alisai docemente a vaga impetuosa para que o barco aventureiro manso resvale à flor das águas."
Esse trecho é o início do romance Iracema, de Jose de Alencar. Dele, como um todo, é possível afirmar que
a) Iracema é uma lenda criada por Alencar para explicar poeticamente as origens das raças indígenas da América.
b) as personagens Iracema, Martim e Moacir participaram da luta fraticida entre os Tabajaras e os Pitiguaras.
c) o romance, elaborado com recursos de linguagem figurada, é considerado o exemplar mais perfeito da prosa poética na ficção romântica brasileira.
d) o nome da personagem-título é anagrama de América e essa relação caracteriza a obra comum um romance histórico.
e) a palavra Iracema é o resultado da aglutinação de duas outras da língua guarani e significa "lábios de fel".
02."... o mestre que eu tive foi a natureza que me envolve... desse livro secular e imenso, é que eu tirei as páginas de 'O Guarani', as de 'Iracema'... Daí, e não das obras de [Reneé de] Chateaubriand, e menos das de [Fenimore] Cooper, que não eram senão a cópia do original sublime que eu havia lido como o coração." (Do romancista José de Alencar)
Sobre o texto pode-se sustentar que o autor
a) confessa ter seguido modelos externos para compor seus livros.
b) nega ter se inspirado no sentimento para compor suas obras
c) segue uma das fontes de inspiração do romantismo.
d) acusa Cooper de ter copiado Chateaubriand.
e) apresenta uma espécie de manifesto nacionalista.
03.UM ÍNDIO
um índio descerá
de uma estrela colorida brilhante
de uma estrela que virá
numa velocidade estonteante
e pousará no coração do hemisfério sul na
América num claro instante
(...)
virá
impávido que nem Muhammad Ali
virá que eu vi
apaixonadamente como Peri
virá que eu vi
tranquilo e infalível como Bruce Lee
virá que eu vi
o aché do afoxé filhos de Ghandi
virá
(Caetano Veloso)
O trecho mostra, com uma visão contemporânea, determinado tipo de tratamento dado ao índio brasileiro em certo período de nossa literatura.
Assinale a alternativa em que aparecem o nome de dois autores que manifestaram tal tendência.
a) Santa Rita Durão e Casimiro de Abreu.
b) Gonçalves de Magalhães e Álvares de Azevedo.
c) Castro Alves e Tobias Barreto.
d) Fagundes Varella e Visconde de Taunay.
e) Gonçalves Dias e José de Alencar.
FIM
Como ocorreu na poesia, a prosa romântica brasileira cultivou o tema do indianismo, retratando o índio como um "bom selvagem" que ajudaria a compor nossa nacionalidade. Além do indianismo, que se insere no sentimento mais amplo do nacionalismo, foi explorada a temática social. Como características de composição na prosa romântica, também ganharam espaço a subjetividade, a idealização e o sentimentalismo. Algumas atitudes, no entanto, perderam um pouco da presença, como no caso da evasão pela morte, já que o crescente público de leitores preferia os finais felizes.
Um dos principais representantes da vertente indianista do movimento romântico é o romance Iracema, de José de Alencar. A narrativa estrutura-se em torno da história do amor de Martim por Iracema. O personagem Martim é baseado em uma figura histórica real - Martim Soares Moreno, o primeiro colonizador português do Ceará. Ele representa o português que levaria até os índios, dentro da mentalidade da época, uma cultura civilizada e a fé cristã. Iracema, a "virgem dos lábios de mel", é uma jovem índia tabajara. A relação entre os dois simboliza a união entre a cultura europeia, civilizada, e os valores indígenas, apresentados como naturalmente bons. Trata-se de uma espécie de mito de fundação da identidade brasileira.
O romance é escrito em prosa poética. Uma das habilidades de José de Alencar é representar o pensamento dos nativos por meio de uma linguagem repleta de imagens e metáforas. Sabe-se que os indígenas brasileiros possuíam mitologia própria ampla e requintada. Eles se valiam dos mitos para explicar o mundo. Desse ponto de vista, o pensamento imagético do nativo estava, portanto, próximo da poesia.
Outros romances indianistas de autoria de José de Alencar são Ubirajara, sobre lutas entre nações indígenas antes do contato com os colonizadores europeus, e o Guarani, que retrata indígenas, entre eles o famoso herói Peri, um índio que se apaixona por Cecília, filho de um fidalgo português. Esse fidalgo abriga em sua propriedade portugueses ilustres e mercenários que estão à procura de ouro e prata. Acidentalmente, Diogo, irmão de Cecília, mata uma índia, e inicia-se um cerco à propriedade do português. O pai de Cecília convence Peri a se converter ao cristianismo e a fugir com ela dali, a fim de salvá-la. O português explode tudo, matando índios e portugueses, enquanto Peri e Cecília fogem, simbolizando a união dois dois povos.
Prosa variada
A origem no folhetim e os vários tipos de romance
O gênero romance surgiu como herdeiro dos folhetins, histórias publicadas em capítulos em jornais e revistas. Antes das novelas de autoria de brasileiros, os folhetins eram trazidos de originais europeus. Considera-se que a primeira obra da prosa romântica brasileira é O Filho do Pescador, de Teixeira e Sousa. A primeira a se tornar popular, contudo, foi A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo. A popularidade atravessaria o tempo, e no século 20 o romance renderá um filme com Sônia Braga no papel principal e duas telenovelas.
Os primeiros romances românticos repetiram algumas características do folhetim, como o desfecho feliz e o enredo longo e cheio de reviravoltas envolvendo os personagens, sempre idealizados.
Além do romance indianista, bem representado neste capítulo pelo exemplo de Iracema, de José de Alencar, surgiram no período romântico brasileiro o romance urbano e o romance regionalista.
O romance urbano retratou personagens em situações cotidianas ou ocasiões especiais, como festas e passeios. As personagens femininas ganharam peso nesse gênero, muitas vezes protagonizando as histórias e tratadas com mais densidade psicológica. Dois representantes desse gênero são o próprio José de Alencar e Joaquim Manuel de Macedo.
Já o romance regionalista cobriu áreas específicas do Brasil, retratando aspectos de suas sociedades. Entre os autores estão, mais uma vez, José de Alencar, que escreveu sobre a zona rural do Rio de Janeiro e outros estados, e Franklin Távora, que abordou temas do Nordeste.
Atividade
01."Verdes mares bravios de minha terra natal, onde canta a jandaia nas frondes da carnaúba; Verdes mares que brilhais como líquida esmeralda aos raios do sol nascente, perlogando as alvas praias ensombradas de coqueiros; Serenai, verdes mares, e alisai docemente a vaga impetuosa para que o barco aventureiro manso resvale à flor das águas."
Esse trecho é o início do romance Iracema, de Jose de Alencar. Dele, como um todo, é possível afirmar que
a) Iracema é uma lenda criada por Alencar para explicar poeticamente as origens das raças indígenas da América.
b) as personagens Iracema, Martim e Moacir participaram da luta fraticida entre os Tabajaras e os Pitiguaras.
c) o romance, elaborado com recursos de linguagem figurada, é considerado o exemplar mais perfeito da prosa poética na ficção romântica brasileira.
d) o nome da personagem-título é anagrama de América e essa relação caracteriza a obra comum um romance histórico.
e) a palavra Iracema é o resultado da aglutinação de duas outras da língua guarani e significa "lábios de fel".
02."... o mestre que eu tive foi a natureza que me envolve... desse livro secular e imenso, é que eu tirei as páginas de 'O Guarani', as de 'Iracema'... Daí, e não das obras de [Reneé de] Chateaubriand, e menos das de [Fenimore] Cooper, que não eram senão a cópia do original sublime que eu havia lido como o coração." (Do romancista José de Alencar)
Sobre o texto pode-se sustentar que o autor
a) confessa ter seguido modelos externos para compor seus livros.
b) nega ter se inspirado no sentimento para compor suas obras
c) segue uma das fontes de inspiração do romantismo.
d) acusa Cooper de ter copiado Chateaubriand.
e) apresenta uma espécie de manifesto nacionalista.
03.UM ÍNDIO
um índio descerá
de uma estrela colorida brilhante
de uma estrela que virá
numa velocidade estonteante
e pousará no coração do hemisfério sul na
América num claro instante
(...)
virá
impávido que nem Muhammad Ali
virá que eu vi
apaixonadamente como Peri
virá que eu vi
tranquilo e infalível como Bruce Lee
virá que eu vi
o aché do afoxé filhos de Ghandi
virá
(Caetano Veloso)
O trecho mostra, com uma visão contemporânea, determinado tipo de tratamento dado ao índio brasileiro em certo período de nossa literatura.
Assinale a alternativa em que aparecem o nome de dois autores que manifestaram tal tendência.
a) Santa Rita Durão e Casimiro de Abreu.
b) Gonçalves de Magalhães e Álvares de Azevedo.
c) Castro Alves e Tobias Barreto.
d) Fagundes Varella e Visconde de Taunay.
e) Gonçalves Dias e José de Alencar.
FIM
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
Romantismo - Prosa: Iracema
Iracema
José de Alencar
II
Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema.
Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna e mais longos que seu talhe de palmeira.
O favo da jati não era doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado.
Mai rápida que a ema selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu, onde campeava sua guerreira tribo da grande nação tabajara, o pé grácil e nu, mal roçando alisava apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas.
Um dia, ao pino do sol, ela repousava em um claro da floresta. Banhava-lhe o corpo a sombra da oiticica, mais fresca do que o orvalho da noite. Os ramos da acácia silvestre esparziam flores sobre os úmidos cabelos. Escondidos na folhagem os pássaros ameigavam o canto.
Iracema saiu do banho; o aljofar d'água ainda a roreja, como à doce mangaba que corou em manhã de chuva. Enquanto repousa, empluma das pernas do gará as flechas de seu arco, e concerta com o sabiá da mata, pousado no galho próximo, o canto agreste.
(...)
Rumor suspeito quebra a doce harmonia da sesta. Ergue a virgem os olhos, que o sol não deslumbra; sua vista perturba-se.
Diante dela e todo a contemplá-la, está um guerreiro estranho, se é guerreiro e não algum mau espírito da floresta. Tem nas faces o branco das areias que bordam o mar; nos olhos o azul triste das águas profundas. Ignotas armas e tecidos ignotos cobrem-lhe o corpo.
Foi rápido, como o olhar, o gesto de Iracema. A flecha embebida no arco partiu. Gotas de sangue borbulham na face do desconhecido.
De primeiro ímpeto, a mão lesta caiu sobre a cruz da espada, mas logo sorriu. O moço guerreiro aprendeu na religião de sua mãe, onde a mulher é símbolo de ternura e amor. Sofreu mais d'alma que da ferida.
O sentimento que ele pôs nos olhos e no rosto, não o sei eu. Porém a virgem lançou de si o arco e a uiraçaba, e correu para o guerreiro, sentida da mágoa que causara.
A mão que rápida ferira, estancou mais rápida e compassiva o sangue que gotejava. Depois Iracema quebrou a flecha homicida: deu a haste ao desconhecido, guardando consigo a ponta farpada.
O guerreiro falou:
- Quebras comigo a flecha da paz?
- Quem te ensinou, guerreiro branco, a linguagem de meus irmãos? Donde vieste a estas matas, que nunca viram outro guerreiro como tu?
- Venho de bem longe, filha das florestas. Venho das terras que teus irmãos já possuíram, e hoje têm os meus.
- Bem-vindo seja estranjeiro aos campos dos tabajaras, senhores das aldeias, e à cabana de Araquém, pai de Iacema.
III
O Pajé lobrigou os dois vultos que avançavam; cuidou ver a sombra de uma árvore solitária que vinha alongando-se pelo vale fora.
Quando os viajantes entraram na densa penumbra do bosque, então seu olhar como o do tigre, afeito às trevas, conheceu Iracema e viu que a seguia um jovem guerreiro, de estranha raça e longes terras.
As tribos tabajaras, dalém Ibiapaba, falavam de uma nova raça de guerreiros, alvos como flores de borrasca, e vindos de remota plaga às margens do Mearim. O ancião pensou que fosse um guerreiro semelhante, aquele que pisava os campos nativos.
Tranquilo, esperou.
A viagem aponta para o estranjeiro e diz:
- Ele veio, pai.
- Veio bem. E tupã que traz o hóspede à cabana de Araquém.
(...)
Atividade
01.O romance Iracema, de José de Alencar, é um exemplo da vertente indianista do movimento romântico. Aponte no texto acima elementos que confirmem essa constatação.
FIM
José de Alencar
II
Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema.
Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna e mais longos que seu talhe de palmeira.
O favo da jati não era doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado.
Mai rápida que a ema selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu, onde campeava sua guerreira tribo da grande nação tabajara, o pé grácil e nu, mal roçando alisava apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas.
Um dia, ao pino do sol, ela repousava em um claro da floresta. Banhava-lhe o corpo a sombra da oiticica, mais fresca do que o orvalho da noite. Os ramos da acácia silvestre esparziam flores sobre os úmidos cabelos. Escondidos na folhagem os pássaros ameigavam o canto.
Iracema saiu do banho; o aljofar d'água ainda a roreja, como à doce mangaba que corou em manhã de chuva. Enquanto repousa, empluma das pernas do gará as flechas de seu arco, e concerta com o sabiá da mata, pousado no galho próximo, o canto agreste.
(...)
Rumor suspeito quebra a doce harmonia da sesta. Ergue a virgem os olhos, que o sol não deslumbra; sua vista perturba-se.
Diante dela e todo a contemplá-la, está um guerreiro estranho, se é guerreiro e não algum mau espírito da floresta. Tem nas faces o branco das areias que bordam o mar; nos olhos o azul triste das águas profundas. Ignotas armas e tecidos ignotos cobrem-lhe o corpo.
Foi rápido, como o olhar, o gesto de Iracema. A flecha embebida no arco partiu. Gotas de sangue borbulham na face do desconhecido.
De primeiro ímpeto, a mão lesta caiu sobre a cruz da espada, mas logo sorriu. O moço guerreiro aprendeu na religião de sua mãe, onde a mulher é símbolo de ternura e amor. Sofreu mais d'alma que da ferida.
O sentimento que ele pôs nos olhos e no rosto, não o sei eu. Porém a virgem lançou de si o arco e a uiraçaba, e correu para o guerreiro, sentida da mágoa que causara.
A mão que rápida ferira, estancou mais rápida e compassiva o sangue que gotejava. Depois Iracema quebrou a flecha homicida: deu a haste ao desconhecido, guardando consigo a ponta farpada.
O guerreiro falou:
- Quebras comigo a flecha da paz?
- Quem te ensinou, guerreiro branco, a linguagem de meus irmãos? Donde vieste a estas matas, que nunca viram outro guerreiro como tu?
- Venho de bem longe, filha das florestas. Venho das terras que teus irmãos já possuíram, e hoje têm os meus.
- Bem-vindo seja estranjeiro aos campos dos tabajaras, senhores das aldeias, e à cabana de Araquém, pai de Iacema.
III
O Pajé lobrigou os dois vultos que avançavam; cuidou ver a sombra de uma árvore solitária que vinha alongando-se pelo vale fora.
Quando os viajantes entraram na densa penumbra do bosque, então seu olhar como o do tigre, afeito às trevas, conheceu Iracema e viu que a seguia um jovem guerreiro, de estranha raça e longes terras.
As tribos tabajaras, dalém Ibiapaba, falavam de uma nova raça de guerreiros, alvos como flores de borrasca, e vindos de remota plaga às margens do Mearim. O ancião pensou que fosse um guerreiro semelhante, aquele que pisava os campos nativos.
Tranquilo, esperou.
A viagem aponta para o estranjeiro e diz:
- Ele veio, pai.
- Veio bem. E tupã que traz o hóspede à cabana de Araquém.
(...)
Atividade
01.O romance Iracema, de José de Alencar, é um exemplo da vertente indianista do movimento romântico. Aponte no texto acima elementos que confirmem essa constatação.
FIM
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Romantismo - Terceira geração
A terceira geração romântica foi marcada pelo apelo à temática social
O condor, ave de grande porte originária dos Andes, capaz de voar bem alto, foi adotado pela terceira geração dos poetas românticos como símbolo da liberdade. Por isso, eles ficaram conhecidos como condoreiros.
Esse desejo de liberdade está inserido na temática social que caracteriza a geração. Aos temas cultivados pelos antecessores - sentimentalismo, saudosismo, atração pela morte, entre outros -, os condoreiros somaram a defesa de uma nova ordem social. Os poemas, em tom vivo e dramático, condenavam as desigualdades sociais inerentes ao sistema monárquico. Boa parte da poesia do período dedicou-se ao tema da abolição da escravatura.
Promovendo a causa com sensibilidade e maestria, Castro Alves ficou conhecido como o "poeta dos escravos". Seus versos grandiloquentes, no estilo da poesia social de seu contemporâneo francês Victor Hugo, destinavam-se a comover os ouvintes e convencê-los a buscar uma sociedade mais justa. Os poemas de Castro Alves foram reunidos em Espumas Flutuantes, A Cachoeira de Paulo Afonso e Os Escravos. Alguns poemas se destacam pelo alcance, constituindo verdadeiras obras autônomas, como O Navio Negreiro.
Castro Alves também escreveu poemas líricos, nos quais trata a figura feminina de modo menos idealizado. A mulher, em seus versos, é mais sensual, concreta, e está ao alcance do eu-lírico. Observe estes versos pertencentes ao poema Os Anjos da Meia-Noite:
(...)
Como o gênio da noite, que desata
O véu de rendas sobre a espádua nua,
Ela solta os cabelos... Bate a lua
Nas alvas dobras de um lençol de prata...
O seio virginal, que a mão recata,
Embalde o prende a mão... cresce, flutua...
Sonha a moça ao relento... Além na rua
Preludia um violão na serenata!...
... Furtivos passos morrem no lajedo...
Resvala a escada do balcão discreta...
Matam lábios os beijos em segredo...
Afoga-me os suspiros, Marieta!
Oh surpresa! oh palor! oh pranto! oh medo!
Ai! noites de Romeu e Julieta!...
(...)
(Castro Alves, Espumas Flutuantes)
Eles são românticos - Relembre os principais temas e atitudes cultivados pelos poetas desse movimento literário.
* USO DE FORMAS MAIS LIVRES - em relação ao sonetoe outros gêneros fixos.
* NACIONALISMO - entre os poetas do Brasil, consolidou-se um sentimento de amor à pátria.
* INDIANISMO - outro fenômeno foi a idealização do índio como herói e modelo de virtude.
* EGOCENTRISMO - a constante referência a si mesmo.
* SUBJETIVISMO - ênfase nas emoções e nos sentimentos individuais.
* IDEALIZAÇÃO - criação de personagens que são modelos de beleza, virtude, maldade e outros aspectos.
* AMOR - é o tema central do Romantismo, com poder de levar as personagens à felicidade plena ou à ruína.
* FUGA - inconformado com a realidade crua, o poeta romântico encontra várias maneiras de evasão. Sonha com cavaleiros heroicos e frágeis donzelas da Idade Média, resgata sentimentos cristãos anteriores à Reforma e idealiza paisagens naturais e exóticas.
* PESSIMISMO - os poetas românticos, principalmente os da segunda geração, foram marcados pela "mal do século". A expressão refere-se aos sentimentos de tédio, melancolia e desespero expressados pelos artistas da época, especialmente pelo poeta inglês Lord Byron, o que deu origem ao tema byronismo.
NAVIO NEGREIRO (trecho)
Castro Alves
I
'Stamos em pleno mar... Douto no espaço
Brinca o luar - dourada borboleta;
E as vagas após ele correm... cansam
Como turba de infantes inquieta.
'Stamos em pleno mar... Do firmamento
Os astros saltam como espumas de ouro...
O mar em troca acende as ardentias,
- Constelações do líquido tesouro...
'Stamos em plena mar... Dois infinitos
Ali se estreitam num abraço insano,
Azuis, dourados, plácidos, sublimes...
Qual dos dous é o céu? qual o aceano?... (...)
III
Desce do espaço imenso, ó águia do oceano!
Desce mais... inda mais... não pode olhar humano
Como o teu mergulhar no brigue voador!
Mas que vejo eu aí... Qu quadro d'amarguras!
É canto funeral! ... Que tétricas figuras! ...
Que cena infame e vil... Meu Deus! Meu Deus! Que
horror! (...)
IV
Era um sonho dantesco... o tombadilho
Que das luzernas avermelha o brilho.
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros... estalar de açoite...
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar... (...)
V
São os filhos do deserto,
Onde a terra esposa a luz.
Onde vive em campo aberto
A tribo dos homens nus...
São os guerreiros ousados
Que com os tigres mosqueados
Combatem na solidão.
Ontem simples, fortes, bravos.
Hoje míseros escravos,
Sem luz, sem ar, sem razão...
Atividade:
01.Assinale a alternativa correta com relação ao sentido expresso pelos versos da parte V de O Navio Negreiro, transcritos acima.
a) descreve a vida dos escravos nas fazendas.
b) Saúda a liberdade decorrente da obolição da escravatura.
c) Salienta a integração dos negros com os índios.
d) Compara o negro livre, na África, com o negro escravizado no Brasil.
e) Propõe que os homens se tornem escravos por quererem fugir do deserto.
02.A poesia romântica no Brasil tem sua trajetória tradicionalmente dividida em três gerações de poetas. Com base nos principais poetas, suas obras e suas temáticas, julgue os itens a seguir.
I. Gonçalves Dias, em I-Juca Pirama, exalta o índio como símbolo da nacionalidade.
II. A geração byroniana, empregnada de negativismo, dúvida, desilusão, teve na obra de Castro Alves sua maior representatividade.
III. Também Gonçalves de Magalhães, com sentimentalismo e religiosidade, fez parte da geração do mal do século.
IV. Álvares de Azevedo e Casimiro de Abreu apresentaram as tensões típicas da segunda geração, o primeiro da forma mais acentuada, o segundo de forma mais amena.
V. Nas poesias O Navio Negreiro, Vozes d'África, Saudação a Palmares, o poeta dos escravos usou um estilo vigoroso em favor do negro oprimido.
Estão corretos os itens:
a) II, III e V.
b) I, IV e V.
c) I, III e IV.
d) III, IV e V.
e) I, II e IV.
FIM
O condor, ave de grande porte originária dos Andes, capaz de voar bem alto, foi adotado pela terceira geração dos poetas românticos como símbolo da liberdade. Por isso, eles ficaram conhecidos como condoreiros.
Esse desejo de liberdade está inserido na temática social que caracteriza a geração. Aos temas cultivados pelos antecessores - sentimentalismo, saudosismo, atração pela morte, entre outros -, os condoreiros somaram a defesa de uma nova ordem social. Os poemas, em tom vivo e dramático, condenavam as desigualdades sociais inerentes ao sistema monárquico. Boa parte da poesia do período dedicou-se ao tema da abolição da escravatura.
Promovendo a causa com sensibilidade e maestria, Castro Alves ficou conhecido como o "poeta dos escravos". Seus versos grandiloquentes, no estilo da poesia social de seu contemporâneo francês Victor Hugo, destinavam-se a comover os ouvintes e convencê-los a buscar uma sociedade mais justa. Os poemas de Castro Alves foram reunidos em Espumas Flutuantes, A Cachoeira de Paulo Afonso e Os Escravos. Alguns poemas se destacam pelo alcance, constituindo verdadeiras obras autônomas, como O Navio Negreiro.
Castro Alves também escreveu poemas líricos, nos quais trata a figura feminina de modo menos idealizado. A mulher, em seus versos, é mais sensual, concreta, e está ao alcance do eu-lírico. Observe estes versos pertencentes ao poema Os Anjos da Meia-Noite:
(...)
Como o gênio da noite, que desata
O véu de rendas sobre a espádua nua,
Ela solta os cabelos... Bate a lua
Nas alvas dobras de um lençol de prata...
O seio virginal, que a mão recata,
Embalde o prende a mão... cresce, flutua...
Sonha a moça ao relento... Além na rua
Preludia um violão na serenata!...
... Furtivos passos morrem no lajedo...
Resvala a escada do balcão discreta...
Matam lábios os beijos em segredo...
Afoga-me os suspiros, Marieta!
Oh surpresa! oh palor! oh pranto! oh medo!
Ai! noites de Romeu e Julieta!...
(...)
(Castro Alves, Espumas Flutuantes)
Eles são românticos - Relembre os principais temas e atitudes cultivados pelos poetas desse movimento literário.
* USO DE FORMAS MAIS LIVRES - em relação ao sonetoe outros gêneros fixos.
* NACIONALISMO - entre os poetas do Brasil, consolidou-se um sentimento de amor à pátria.
* INDIANISMO - outro fenômeno foi a idealização do índio como herói e modelo de virtude.
* EGOCENTRISMO - a constante referência a si mesmo.
* SUBJETIVISMO - ênfase nas emoções e nos sentimentos individuais.
* IDEALIZAÇÃO - criação de personagens que são modelos de beleza, virtude, maldade e outros aspectos.
* AMOR - é o tema central do Romantismo, com poder de levar as personagens à felicidade plena ou à ruína.
* FUGA - inconformado com a realidade crua, o poeta romântico encontra várias maneiras de evasão. Sonha com cavaleiros heroicos e frágeis donzelas da Idade Média, resgata sentimentos cristãos anteriores à Reforma e idealiza paisagens naturais e exóticas.
* PESSIMISMO - os poetas românticos, principalmente os da segunda geração, foram marcados pela "mal do século". A expressão refere-se aos sentimentos de tédio, melancolia e desespero expressados pelos artistas da época, especialmente pelo poeta inglês Lord Byron, o que deu origem ao tema byronismo.
NAVIO NEGREIRO (trecho)
Castro Alves
I
'Stamos em pleno mar... Douto no espaço
Brinca o luar - dourada borboleta;
E as vagas após ele correm... cansam
Como turba de infantes inquieta.
'Stamos em pleno mar... Do firmamento
Os astros saltam como espumas de ouro...
O mar em troca acende as ardentias,
- Constelações do líquido tesouro...
'Stamos em plena mar... Dois infinitos
Ali se estreitam num abraço insano,
Azuis, dourados, plácidos, sublimes...
Qual dos dous é o céu? qual o aceano?... (...)
III
Desce do espaço imenso, ó águia do oceano!
Desce mais... inda mais... não pode olhar humano
Como o teu mergulhar no brigue voador!
Mas que vejo eu aí... Qu quadro d'amarguras!
É canto funeral! ... Que tétricas figuras! ...
Que cena infame e vil... Meu Deus! Meu Deus! Que
horror! (...)
IV
Era um sonho dantesco... o tombadilho
Que das luzernas avermelha o brilho.
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros... estalar de açoite...
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar... (...)
V
São os filhos do deserto,
Onde a terra esposa a luz.
Onde vive em campo aberto
A tribo dos homens nus...
São os guerreiros ousados
Que com os tigres mosqueados
Combatem na solidão.
Ontem simples, fortes, bravos.
Hoje míseros escravos,
Sem luz, sem ar, sem razão...
Atividade:
01.Assinale a alternativa correta com relação ao sentido expresso pelos versos da parte V de O Navio Negreiro, transcritos acima.
a) descreve a vida dos escravos nas fazendas.
b) Saúda a liberdade decorrente da obolição da escravatura.
c) Salienta a integração dos negros com os índios.
d) Compara o negro livre, na África, com o negro escravizado no Brasil.
e) Propõe que os homens se tornem escravos por quererem fugir do deserto.
02.A poesia romântica no Brasil tem sua trajetória tradicionalmente dividida em três gerações de poetas. Com base nos principais poetas, suas obras e suas temáticas, julgue os itens a seguir.
I. Gonçalves Dias, em I-Juca Pirama, exalta o índio como símbolo da nacionalidade.
II. A geração byroniana, empregnada de negativismo, dúvida, desilusão, teve na obra de Castro Alves sua maior representatividade.
III. Também Gonçalves de Magalhães, com sentimentalismo e religiosidade, fez parte da geração do mal do século.
IV. Álvares de Azevedo e Casimiro de Abreu apresentaram as tensões típicas da segunda geração, o primeiro da forma mais acentuada, o segundo de forma mais amena.
V. Nas poesias O Navio Negreiro, Vozes d'África, Saudação a Palmares, o poeta dos escravos usou um estilo vigoroso em favor do negro oprimido.
Estão corretos os itens:
a) II, III e V.
b) I, IV e V.
c) I, III e IV.
d) III, IV e V.
e) I, II e IV.
FIM
Romantismo - Segunda geração
A segunda geração levou o estilo ao limite
O conjunto de sensações de tédio, incerteza, melancolia e pessimismo que caracterizou o Ultarromantismo ficou conhecido como "mal do século". O grande modelo desse estilo, que frequentemente mergulha na morbidez e até mesmo no satanismo, é o poeta inglês Lord George Gordon Byron, mais conhecido como Lord Byron. Daí as rederências ao byronismo quando se fala na geração dos ultrarromânticos. Com um perfil sintomático das mudanças sociais que servem de pano de fundo ao Romantismo, Byron era de uma família aristocrata em ruínas. Sua vida foi marcada por sobressaltos e contradições, refletidas em sua obra. O poeta morreu aos 36 anos.
Também curta foi a vida de Álvares de Azevedo, o mais conhecido representante brasileiro dessa fase do Romantismo. Membro da "Sociedade Epicureia", formada por estudantes que levavam uma vida boêmia em São Paulo, o poeta morreu com apenas 21 anos, vítima de tuberculose e de complicações de uma cirurgia. Toda a sua obra teve publicação póstuma.
Na obra de Álvares de Azevedo, genuíno seguidor de Byron, estão presentes o pessimismo, o desencanto com a vida e a fuga da realidade por meio do sonho. O sentimentalismo revela-se na atmosfera onírica, com a admiração de figuras idealizadas.
Seus poemas foram reunidos em Lira dos Vinte Anos, em que se mostram, em versos dramáticos, a atração pela morte, a fuga pelo sonho, a ironia diante de símbolos de beleza da poesia de seu tempo, o amor idealizado e a sexualidade reprimida.
Álvares de Azevedo também escreveu prosa. Noite na Taverna é uma reunião de relatos sobre encontros de estudantes boêmios repletos de morbidez, cinismo e até mesmo de cenas de incesto e assassinato. Nesses textos, fica clara a visão do autor segundo a qual a literatura não devia ocupar-se apenas do belo, ideal e agradável, mas também dos males cotidianos, da doença, das fraquezas humanas e das sensações puramente corpóreas, ainda que de modo idealizado.
Outro autor importante da geração, Casimiro de Abreu tratou os temas ultrarromânticos de maneira mais ingênua e suave. Seus versos reunidos em As Primaveras, com rimas de fácil memorização, contribuiram para a popularização da arte romântica. Sua vida também curta, interrompida pela tuberculose aos 21 anos, ajuda a explicar a abordagem de temas ligados à adolescência, como a saudade da infância e da mãe. No final da vida, Casimiro de Abreu também explorou temas como o amor idealizado, a tristeza e a morte.
Romantismo em Portugal
Os poetas e prosadores do país dividem-se em três gerações. Conheça os principais autores:
PRIMEIRA GERAÇÃO - Os autores que possuíam sólida formação neoclássica e introduziram inovações formais modestas abordaram temas ligados à cultura e à história portuguesas.
a) Almeida Garret (1799-1854): pioneiro do Romantismo português, privilegiou a cultura de seu país. É autor do poema Camões (1825), marco inaugural do Romantismo em Portugal. Escreveu Viagens na Minha Terra (1846), romance de viagem pelo interior de Portugal, com uso de palavras e expressões locais; Folhas Caídas (1853) e Flores sem Fruto (1844), que reúnem os melhores poemas do autor, cheios de lirismo e subjetividade.
b) Alexandre Herculano (1810-1877): historiador, ambientou romances e contos na Idade Média. É autor de Eurico, o Presbítero (1844), romance sobre o celibato clerical.
SEGUNDA GERAÇÃO - Pelo aprofundamento das propostas românticas, como a liberdade da imaginação, a visão egocêntrica do mundo, a melancolia e a obsessão com a morte, o período ficou conhecido como Ultrarromantismo, que também influenciou os autores brasileiros.
a) Camilo Castelo Branco: em cerca de 100 obras, destacando-se a prosa, narra histórias de paixão e tragédia. Amor de Perdição conta a história de Simão e Teresa, jovens apaixonados de famílias inimigas. Os dois morrem no final, além de outra jovem, Mariana, apaixonada por Simão. Em Amor de Salvação, um rico herdeiro, traído e infeliz, se "salva" ao perceber o amor de uma prima.
TERCEIRA GERAÇÃO - Afastou-se dos excessos do Ultrarromantismo, moderando a dramaticidade das situações e sentimentos.
a) Júlio Dinis: compõe retratos idealizados das famílias portuguesas, em um mundo onde o mal triunfa sobre o bem. É autor de As Pupilas do Senhor Reitor. Nesse romance, lançado em formato de folhetim, em 1863, Margarida e Clara, orientadas pelo "reitor", ou padre da aldeia, vivem conflitos amorosos. Ao fim, casam-se com seus amados.
LEMBRANÇAS DE MORRER
Álvares de Azevedo
Quando em meu peito rebentar-se a fibra,
Que o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nem uma lágrima
Em pálpedra demente.
E nem desfolhemna matéria impura
A flor do vale que adormece ao vento:
Não quero que uma nota de alegria
Se cale por meu triste passamento.
Eu deixo a vida como deixa o tédio
Do deserto o poento caminheiro...
Como as horas de um longo pesadelo
Que se desfaz ao dobre de um sineiro...
Como o desterro de minh'alma errante,
Onde fogo insensato a consumia,
Só levo uma saudade - é desses tempos
Que amorosa ilusão embelecia.
Só levo uma saudade - e dessas sombras
Que eu sentia velar nas noites minhas...
E de ti, ó minha mãe! pobre coitada
Que por minhas tristezas te definhas!
De meu pai... de meus únicos amigos,
Poucos, - bem poucos! e que não zombavam
Quando, em noites de febre endoidecido,
Minhas pálidas crenças duvidavam.
Se uma lágrima as pálpedras me inunda,
Se um suspiro nos seios treme ainda,
É pela virgem que sonhei!... que nunca
Aos lábios me encostou a face linda!
Ó tu, que à mocidade sonhadora
Do pálido poeta deste flores...
Se vivi... foi por ti! e de esperança
De na vida gozar de teus amores.
Beijarei a verdade santa e nua,
Verei cristalizar-se o sonho amigo...
Ó minha virgem dos errantes sonhos,
Filha do céu! eu vou amar contigo!
Descansem o meu leito solitário
Na floresta dos homens esquecida,
À sombra de uma cruz! e escrevam nela:
- Foi poeta, sonhou e amou na vida. -
Sombras do vale, noites da montanha,
Que minh'alma cantou e amava tanto,
Projetei o meu corpo abandonado,
E no silêncio derramei-lhe um canto!
Mas quando preludia ave d'aurora
E quando, à meia-noite, o céu repousa,
Arvoredos do bosque, abri as ramas...
Deixai a lua pratear-me a lousa!
(In Álvares de Azevedo, Lira dos Vinte Anos)
ATIVIDADE
01.O que predominantemente aflora nas duas últimas estrofes do poema ao lado e caracteriza o poeta Álvares de Azevedo como ultrarromântico é (são):
a) a devoção pela noite e por ambientes lúgubres e sombrios.
b) o sentimento de autodestruição da natureza tropical.
c) o acentuado pessimismo e a valorização da religiosidade mística.
d) o sentimento byroniano de tom elegíaco e humorístico-satânico.
e) o sonho adolescente e a supervalorização da vida.
02.Meus oito anos
Oh! que saudades que tenho/Da aurora da minha vida,/Da minha infância querida/Que os anos não trazem mais!/Que amor, que sonhos, que flores,/Naquelas tardes fagueiras/À sombra das bananeiras,/Debaixo dos laranjais!
(Casimiro de Abreu)
O estilo dos versos de Casimiro de Abreu
a) é brando e gracioso, carregado de musicalidade nas redondilhas maiores.
b) traduz-se em linguagem grandiosa, por meio das quais estabelece a crítica social.
c) é preciso e objetivo, deixando em segundo plano o subjetivismo.
d) reproduz o padrão romântico da morbidez e melancolia.
e) é rebuscado e altamente subjetivo, o que o aproxima do estilo de Castro Alves.
FIM
O conjunto de sensações de tédio, incerteza, melancolia e pessimismo que caracterizou o Ultarromantismo ficou conhecido como "mal do século". O grande modelo desse estilo, que frequentemente mergulha na morbidez e até mesmo no satanismo, é o poeta inglês Lord George Gordon Byron, mais conhecido como Lord Byron. Daí as rederências ao byronismo quando se fala na geração dos ultrarromânticos. Com um perfil sintomático das mudanças sociais que servem de pano de fundo ao Romantismo, Byron era de uma família aristocrata em ruínas. Sua vida foi marcada por sobressaltos e contradições, refletidas em sua obra. O poeta morreu aos 36 anos.
Também curta foi a vida de Álvares de Azevedo, o mais conhecido representante brasileiro dessa fase do Romantismo. Membro da "Sociedade Epicureia", formada por estudantes que levavam uma vida boêmia em São Paulo, o poeta morreu com apenas 21 anos, vítima de tuberculose e de complicações de uma cirurgia. Toda a sua obra teve publicação póstuma.
Na obra de Álvares de Azevedo, genuíno seguidor de Byron, estão presentes o pessimismo, o desencanto com a vida e a fuga da realidade por meio do sonho. O sentimentalismo revela-se na atmosfera onírica, com a admiração de figuras idealizadas.
Seus poemas foram reunidos em Lira dos Vinte Anos, em que se mostram, em versos dramáticos, a atração pela morte, a fuga pelo sonho, a ironia diante de símbolos de beleza da poesia de seu tempo, o amor idealizado e a sexualidade reprimida.
Álvares de Azevedo também escreveu prosa. Noite na Taverna é uma reunião de relatos sobre encontros de estudantes boêmios repletos de morbidez, cinismo e até mesmo de cenas de incesto e assassinato. Nesses textos, fica clara a visão do autor segundo a qual a literatura não devia ocupar-se apenas do belo, ideal e agradável, mas também dos males cotidianos, da doença, das fraquezas humanas e das sensações puramente corpóreas, ainda que de modo idealizado.
Outro autor importante da geração, Casimiro de Abreu tratou os temas ultrarromânticos de maneira mais ingênua e suave. Seus versos reunidos em As Primaveras, com rimas de fácil memorização, contribuiram para a popularização da arte romântica. Sua vida também curta, interrompida pela tuberculose aos 21 anos, ajuda a explicar a abordagem de temas ligados à adolescência, como a saudade da infância e da mãe. No final da vida, Casimiro de Abreu também explorou temas como o amor idealizado, a tristeza e a morte.
Romantismo em Portugal
Os poetas e prosadores do país dividem-se em três gerações. Conheça os principais autores:
PRIMEIRA GERAÇÃO - Os autores que possuíam sólida formação neoclássica e introduziram inovações formais modestas abordaram temas ligados à cultura e à história portuguesas.
a) Almeida Garret (1799-1854): pioneiro do Romantismo português, privilegiou a cultura de seu país. É autor do poema Camões (1825), marco inaugural do Romantismo em Portugal. Escreveu Viagens na Minha Terra (1846), romance de viagem pelo interior de Portugal, com uso de palavras e expressões locais; Folhas Caídas (1853) e Flores sem Fruto (1844), que reúnem os melhores poemas do autor, cheios de lirismo e subjetividade.
b) Alexandre Herculano (1810-1877): historiador, ambientou romances e contos na Idade Média. É autor de Eurico, o Presbítero (1844), romance sobre o celibato clerical.
SEGUNDA GERAÇÃO - Pelo aprofundamento das propostas românticas, como a liberdade da imaginação, a visão egocêntrica do mundo, a melancolia e a obsessão com a morte, o período ficou conhecido como Ultrarromantismo, que também influenciou os autores brasileiros.
a) Camilo Castelo Branco: em cerca de 100 obras, destacando-se a prosa, narra histórias de paixão e tragédia. Amor de Perdição conta a história de Simão e Teresa, jovens apaixonados de famílias inimigas. Os dois morrem no final, além de outra jovem, Mariana, apaixonada por Simão. Em Amor de Salvação, um rico herdeiro, traído e infeliz, se "salva" ao perceber o amor de uma prima.
TERCEIRA GERAÇÃO - Afastou-se dos excessos do Ultrarromantismo, moderando a dramaticidade das situações e sentimentos.
a) Júlio Dinis: compõe retratos idealizados das famílias portuguesas, em um mundo onde o mal triunfa sobre o bem. É autor de As Pupilas do Senhor Reitor. Nesse romance, lançado em formato de folhetim, em 1863, Margarida e Clara, orientadas pelo "reitor", ou padre da aldeia, vivem conflitos amorosos. Ao fim, casam-se com seus amados.
LEMBRANÇAS DE MORRER
Álvares de Azevedo
Quando em meu peito rebentar-se a fibra,
Que o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nem uma lágrima
Em pálpedra demente.
E nem desfolhemna matéria impura
A flor do vale que adormece ao vento:
Não quero que uma nota de alegria
Se cale por meu triste passamento.
Eu deixo a vida como deixa o tédio
Do deserto o poento caminheiro...
Como as horas de um longo pesadelo
Que se desfaz ao dobre de um sineiro...
Como o desterro de minh'alma errante,
Onde fogo insensato a consumia,
Só levo uma saudade - é desses tempos
Que amorosa ilusão embelecia.
Só levo uma saudade - e dessas sombras
Que eu sentia velar nas noites minhas...
E de ti, ó minha mãe! pobre coitada
Que por minhas tristezas te definhas!
De meu pai... de meus únicos amigos,
Poucos, - bem poucos! e que não zombavam
Quando, em noites de febre endoidecido,
Minhas pálidas crenças duvidavam.
Se uma lágrima as pálpedras me inunda,
Se um suspiro nos seios treme ainda,
É pela virgem que sonhei!... que nunca
Aos lábios me encostou a face linda!
Ó tu, que à mocidade sonhadora
Do pálido poeta deste flores...
Se vivi... foi por ti! e de esperança
De na vida gozar de teus amores.
Beijarei a verdade santa e nua,
Verei cristalizar-se o sonho amigo...
Ó minha virgem dos errantes sonhos,
Filha do céu! eu vou amar contigo!
Descansem o meu leito solitário
Na floresta dos homens esquecida,
À sombra de uma cruz! e escrevam nela:
- Foi poeta, sonhou e amou na vida. -
Sombras do vale, noites da montanha,
Que minh'alma cantou e amava tanto,
Projetei o meu corpo abandonado,
E no silêncio derramei-lhe um canto!
Mas quando preludia ave d'aurora
E quando, à meia-noite, o céu repousa,
Arvoredos do bosque, abri as ramas...
Deixai a lua pratear-me a lousa!
(In Álvares de Azevedo, Lira dos Vinte Anos)
ATIVIDADE
01.O que predominantemente aflora nas duas últimas estrofes do poema ao lado e caracteriza o poeta Álvares de Azevedo como ultrarromântico é (são):
a) a devoção pela noite e por ambientes lúgubres e sombrios.
b) o sentimento de autodestruição da natureza tropical.
c) o acentuado pessimismo e a valorização da religiosidade mística.
d) o sentimento byroniano de tom elegíaco e humorístico-satânico.
e) o sonho adolescente e a supervalorização da vida.
02.Meus oito anos
Oh! que saudades que tenho/Da aurora da minha vida,/Da minha infância querida/Que os anos não trazem mais!/Que amor, que sonhos, que flores,/Naquelas tardes fagueiras/À sombra das bananeiras,/Debaixo dos laranjais!
(Casimiro de Abreu)
O estilo dos versos de Casimiro de Abreu
a) é brando e gracioso, carregado de musicalidade nas redondilhas maiores.
b) traduz-se em linguagem grandiosa, por meio das quais estabelece a crítica social.
c) é preciso e objetivo, deixando em segundo plano o subjetivismo.
d) reproduz o padrão romântico da morbidez e melancolia.
e) é rebuscado e altamente subjetivo, o que o aproxima do estilo de Castro Alves.
FIM
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
Romantismo - Primeira geração
Grandes mudanças políticas e econômicas revolucionaram o mundo e a literatura
A partir do fim do século 18, a ordem socioeconômica na Europa foi modificada pela decadência das monarquias absolutas e pelo avanço do liberalismo, que representava os valores capitalistas burgueses. Os dois grandes eventos que ilustram essas transformações são a Revolução Industrial, com seus avanços tecnológicos, e a Revolução Francesa, que difundiu valores como a igualdade de direitos e a liberdade.
No contexto das artes, a individualidade e a subjetividade assumiram grande importância. Depois de séculos de domínio da nobreza sobre a sociedade, a burguesia passou a buscar a liberdade de expressão e a renovação das linguagens, dando origem à escola conhecida como Romantismo. Os temas da literatura romântica refletem essa nova ênfase no indivíduo: o egocentrismo, a idealização e a melancolia, entre outros. Na poesia, surgiram formas mais livres, enquanto na prosa se consagrou o romance.
O movimento teve grande repercussão no Brasil, onde os escritores abordaram o mesmo repertório temático e cultivaram também o nacionalismo, sentimento reforçado pela proclamação da independência. A identidade nacional e a maior disseminação dos escritores e leitores pelo território levam muitos estudiosos a considerar o Romantismo o primeiro movimento literário realmente brasileiro.
Na poesia, a produção romântica no Brasil dividiu-se em três gerações, que compartilharam várias características do movimento, como o subjetivismo, mas assumiram contornos particulares.
* A primeira geração foi marcada pelo nacionalismo;
* A segunda, pelo sentimentalismo e pela melancolia;
* A terceira, pela temática social.
A primeira geração foi constituída por escritores que, ao estudar na Europa, tiveram contato com o novo movimento. Seus temas preferidos são o saudosismo, por estarem distantes da pátria, e o nacionalismo. Um dos aspectos do nacionalismo é o indianismo, no qual o indígena idealizado, no contexto da exótica natureza tropical, personifica virtudes como coragem e lealdade, assim como os cavaleiros medievais. Os autores da primeira geração também cultivam as demais características românticas associadas à individualidade, como o sentimentalismo e uma religiosidade renovada, inspirada no sentimento cristão anterior à Reforma.
Gonçalves de Magalhães é considerado o primeiro autor do Romantismo brasileiro. Com o livro de poemas Suspiros Poéticos e Saudades, introduziu o saudosismo e o patriotismo. É lembrado mais pela importância histórica do que pelo alcance de sua poesia. Já Gonçalves Dias é tido como um dos maiores poetas líricos da história do país, graças à habilidade de expressar a melancolia, o amor, a saudade. Autor da célebre Canção do Exílio, também se consogrou como poeta do nacionalismo, explorando a temática indianista em poemas como I-Juca Pirama.
O BRASIL NO PALCO
O teatro romântico produzido no país
Foi durante o Romantismo que se definiu o teatro genuinamente brasileiro. O pioneiro também foi Gonçalves de Magalhães, com o drama Antônio José ou O Poeta e a Inquisição. Mas o autor de teatro mais reconhecido do período é Martins Pena, com suas comédias de costumes.
SEU TEATRO:
* Expõe o lado cômico de situações cotidianas universais, como brigas de vizinhos e abusos de poder por parte de autoridades.
* Tem humor leve, com linguagem acessível.
* Sempre inclui um final feliz para os protagonistas e uma punição exemplar para os hipócritas e corruptos.
* Faz a pequena burguesia rir de si mesma. Dessa forma, Martins Pena torna-se o primeiro autor de teatro brasileiro a alcançar popularidade.
SUAS PRINCIPAIS OBRAS SÃO:
* O Juiz de Paz na Roça
O juiz de paz encarrega-se de tomar conta de José, um jovem recrutado pelo Exército. Mas a amada do jovem, Aninha, o liberta e casa-se com ele às escondidas. Casado, José não poderia mais ser recrutado.
* Os Dois ou O inglês Maquinista
Mariquinha ama seu primo Felício, mas a pobreza dele impede o casamento. A protagonista é cortejada também pelo traficante de escravos Negreiro e pelo inglês espertalhão Gaines, ambos de olho na fortuna da jovem.
* Outras comédias: O Noviço; Um Sertanejo na Corte; A Família e a Festa na Roça; O Judas em Sábado de Aleluia; Os Irmãos das Almas; O Diletante.
* E também os dramas: Fernando ou O Cinto Acusador; D. João de Lira ou O Repto; Itaminda ou O Guerreiro de Tupã.
Atividade:
01.Leia os trechos de I-Juca Pirama. Ao assinalar a coragem dos índios diante das adversidades, Gonçalves Dias (1823-1864), como também outros poetas do Romantismo, aponta para o (a):
a) passividade indígena frente ao colonizador branco escravocrata.
b) preservação do ecossistema da Mata Atlântica.
c) avanço da civilização europeia no interior do Brasil.
d) nascente consciência da nacionalidade brasileira.
e) aceitação pacifíca do domínio europeu.
02.As afirmações abaixo referem-se a Gonçalves Dias:
I - A nostalgia, a saudade, o retorno ao passado e a exaltação da pátria caracterizam a sua obra.
II - As lamentações pelo amor impossível, os anseios, as inquietações, os desencantos caracterizam o seu lirismo amoroso, que muitas vezes se identifica com a atitude de vassalagem do trovador medieval.
III - I-Juca Pirama é uma síntese da temática indianista que dominou sua obra: idealizou o indígena, descrevendo-o como um herói, interpretou sua psicologia e exaltou a natureza em que ele vivia.
Estão correta(s):
a) Apenas III.
b) Apenas I e II.
c) Apenas I e III.
d) Apenas II e III
e) Todas.
03.No trecho abaixo, o narrador, ao descrever a personagem, critica sutilmente um outro estilo de época: o Romantismo.
"Naquele tempo contava apenas uns quinze ou dezesseis anos; era talvez a mais atrevida criatura da nossa raça, e, com certeza, a mais voluntariosa. Não digo que já lhe coubesse a primazia da beleza, entre as mocinhas do tempo, porque isto não é romance, em que o autor sobredoura a realidade e fecha os olhos às sardas e espinhas; mas também não digo que lhe maculasse o rosto nenhuma sarda ou espinha, não. Era bonita, fresca, saía das mãos da natureza, cheia daquele feitiço, precário e eterno, que o indivíduo passa a outro indivíduo, para fins secretos da criação."
(ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás Cubas. Rio de Janeiro: Jackson, 1957.)
A frase do texto em que se percebe a crítica do narrador ao Romantismo está transcrita na alternativa:
a) ... o autor sobredoura a realidade e fecha os olhos às sardas e espinhas...
b) era talvez a mais atrevida criatura da nossa raça...
c) Era bonita, fresca, saía das mãos da natureza, cheia daquele feitiço, precário e eterno, ...
d) Naquele tempo contava apenas uns quinze ou dezesseis anos...
e) ...o indivíduo passa a outro indivíduo, para fins secretos da criação.
FIM
A partir do fim do século 18, a ordem socioeconômica na Europa foi modificada pela decadência das monarquias absolutas e pelo avanço do liberalismo, que representava os valores capitalistas burgueses. Os dois grandes eventos que ilustram essas transformações são a Revolução Industrial, com seus avanços tecnológicos, e a Revolução Francesa, que difundiu valores como a igualdade de direitos e a liberdade.
No contexto das artes, a individualidade e a subjetividade assumiram grande importância. Depois de séculos de domínio da nobreza sobre a sociedade, a burguesia passou a buscar a liberdade de expressão e a renovação das linguagens, dando origem à escola conhecida como Romantismo. Os temas da literatura romântica refletem essa nova ênfase no indivíduo: o egocentrismo, a idealização e a melancolia, entre outros. Na poesia, surgiram formas mais livres, enquanto na prosa se consagrou o romance.
O movimento teve grande repercussão no Brasil, onde os escritores abordaram o mesmo repertório temático e cultivaram também o nacionalismo, sentimento reforçado pela proclamação da independência. A identidade nacional e a maior disseminação dos escritores e leitores pelo território levam muitos estudiosos a considerar o Romantismo o primeiro movimento literário realmente brasileiro.
Na poesia, a produção romântica no Brasil dividiu-se em três gerações, que compartilharam várias características do movimento, como o subjetivismo, mas assumiram contornos particulares.
* A primeira geração foi marcada pelo nacionalismo;
* A segunda, pelo sentimentalismo e pela melancolia;
* A terceira, pela temática social.
A primeira geração foi constituída por escritores que, ao estudar na Europa, tiveram contato com o novo movimento. Seus temas preferidos são o saudosismo, por estarem distantes da pátria, e o nacionalismo. Um dos aspectos do nacionalismo é o indianismo, no qual o indígena idealizado, no contexto da exótica natureza tropical, personifica virtudes como coragem e lealdade, assim como os cavaleiros medievais. Os autores da primeira geração também cultivam as demais características românticas associadas à individualidade, como o sentimentalismo e uma religiosidade renovada, inspirada no sentimento cristão anterior à Reforma.
Gonçalves de Magalhães é considerado o primeiro autor do Romantismo brasileiro. Com o livro de poemas Suspiros Poéticos e Saudades, introduziu o saudosismo e o patriotismo. É lembrado mais pela importância histórica do que pelo alcance de sua poesia. Já Gonçalves Dias é tido como um dos maiores poetas líricos da história do país, graças à habilidade de expressar a melancolia, o amor, a saudade. Autor da célebre Canção do Exílio, também se consogrou como poeta do nacionalismo, explorando a temática indianista em poemas como I-Juca Pirama.
O BRASIL NO PALCO
O teatro romântico produzido no país
Foi durante o Romantismo que se definiu o teatro genuinamente brasileiro. O pioneiro também foi Gonçalves de Magalhães, com o drama Antônio José ou O Poeta e a Inquisição. Mas o autor de teatro mais reconhecido do período é Martins Pena, com suas comédias de costumes.
SEU TEATRO:
* Expõe o lado cômico de situações cotidianas universais, como brigas de vizinhos e abusos de poder por parte de autoridades.
* Tem humor leve, com linguagem acessível.
* Sempre inclui um final feliz para os protagonistas e uma punição exemplar para os hipócritas e corruptos.
* Faz a pequena burguesia rir de si mesma. Dessa forma, Martins Pena torna-se o primeiro autor de teatro brasileiro a alcançar popularidade.
SUAS PRINCIPAIS OBRAS SÃO:
* O Juiz de Paz na Roça
O juiz de paz encarrega-se de tomar conta de José, um jovem recrutado pelo Exército. Mas a amada do jovem, Aninha, o liberta e casa-se com ele às escondidas. Casado, José não poderia mais ser recrutado.
* Os Dois ou O inglês Maquinista
Mariquinha ama seu primo Felício, mas a pobreza dele impede o casamento. A protagonista é cortejada também pelo traficante de escravos Negreiro e pelo inglês espertalhão Gaines, ambos de olho na fortuna da jovem.
* Outras comédias: O Noviço; Um Sertanejo na Corte; A Família e a Festa na Roça; O Judas em Sábado de Aleluia; Os Irmãos das Almas; O Diletante.
* E também os dramas: Fernando ou O Cinto Acusador; D. João de Lira ou O Repto; Itaminda ou O Guerreiro de Tupã.
Atividade:
01.Leia os trechos de I-Juca Pirama. Ao assinalar a coragem dos índios diante das adversidades, Gonçalves Dias (1823-1864), como também outros poetas do Romantismo, aponta para o (a):
a) passividade indígena frente ao colonizador branco escravocrata.
b) preservação do ecossistema da Mata Atlântica.
c) avanço da civilização europeia no interior do Brasil.
d) nascente consciência da nacionalidade brasileira.
e) aceitação pacifíca do domínio europeu.
02.As afirmações abaixo referem-se a Gonçalves Dias:
I - A nostalgia, a saudade, o retorno ao passado e a exaltação da pátria caracterizam a sua obra.
II - As lamentações pelo amor impossível, os anseios, as inquietações, os desencantos caracterizam o seu lirismo amoroso, que muitas vezes se identifica com a atitude de vassalagem do trovador medieval.
III - I-Juca Pirama é uma síntese da temática indianista que dominou sua obra: idealizou o indígena, descrevendo-o como um herói, interpretou sua psicologia e exaltou a natureza em que ele vivia.
Estão correta(s):
a) Apenas III.
b) Apenas I e II.
c) Apenas I e III.
d) Apenas II e III
e) Todas.
03.No trecho abaixo, o narrador, ao descrever a personagem, critica sutilmente um outro estilo de época: o Romantismo.
"Naquele tempo contava apenas uns quinze ou dezesseis anos; era talvez a mais atrevida criatura da nossa raça, e, com certeza, a mais voluntariosa. Não digo que já lhe coubesse a primazia da beleza, entre as mocinhas do tempo, porque isto não é romance, em que o autor sobredoura a realidade e fecha os olhos às sardas e espinhas; mas também não digo que lhe maculasse o rosto nenhuma sarda ou espinha, não. Era bonita, fresca, saía das mãos da natureza, cheia daquele feitiço, precário e eterno, que o indivíduo passa a outro indivíduo, para fins secretos da criação."
(ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás Cubas. Rio de Janeiro: Jackson, 1957.)
A frase do texto em que se percebe a crítica do narrador ao Romantismo está transcrita na alternativa:
a) ... o autor sobredoura a realidade e fecha os olhos às sardas e espinhas...
b) era talvez a mais atrevida criatura da nossa raça...
c) Era bonita, fresca, saía das mãos da natureza, cheia daquele feitiço, precário e eterno, ...
d) Naquele tempo contava apenas uns quinze ou dezesseis anos...
e) ...o indivíduo passa a outro indivíduo, para fins secretos da criação.
FIM
Romantismo - Poesia
I-JUCA PIRAMA
Gonçalves Dias
IV
Meu canto de amores,
Guerreiros, ouvi:
Sou filho das selvas,
Nas selvas cresci;
Guerreiros, descendo
Da tribu tupi.
Da tribu pujante,
Que agora anda errante
Por fado inconstante,
Guerreiros, nasci;
Sou bravo, sou forte,
Sou filho do Norte;
Meu canto de morte,
Guerreiros, ouvi.
Já vi cruas brigas,
Da tribus imigas,
E das duras fadigas
Da guerra provei;
Nas ondas mendaces
Senti pelas faces
Os silvos fugaces
Dos ventos que amei.
Andei longes terras
Lidei cruas guerras,
Vaguei pelas serras
Dos vis Aimorés;
Vi lutas de bravos,
Vi fortes - escravos!
De estranhos ignavos
Calcados aos pés.
E os campos talados,
E os arcos quebrados,
E os piagas coitados
Já sem maracás;
E os meigos cantores,
Servindo a senhores,
Que vinham traidores,
Com mostras de paz.
Aos golpes do imigo,
Meu último amigo,
Sem lar, sem abrigo
Caiu junto a mi!
Com plácido rosto,
Sereno e composto,
O acerbo desgosto
Comigo sofri.
Meu pai a meu lado
Já cego e quebrado,
De penas ralado,
Firmava-se em mi:
Nós ambos, mesquinhos,
Por ínvios caminhos,
Cobertos d'espinhos
Chegamos aqui!
(...)
CANÇÃO DO EXÍLIO
Gonçalves Dias
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá;
As aves, que aqui gorjeam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar - sozinho à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
SE SE MORRE DE AMOR
Gonçalves Dias
(...)
Amor é vida; é ter constantemente
Alma, sentidos, coração - abertos
Ao grande, ao belo; é ser capaz
d'extremos,
D'altas virtudes, te capaz de
crimes!
Compr'ender o infinito, a
imensidade,
E a natureza e Deus; gostar dos
campos,
D'ave, flores, murmúrios
solitários;
buscar tristeza, a soledade, o ermo,
E ter o coração em riso e festa;
E à branda festa, ao riso da nossa
alma
Fontes de pranto intercalar se
custo;
Conhecer o prazer e a desventura
No mesmo tempo, e ser no mesmo
ponto
O ditoso, o misérrimo dos entes:
Isso é amor, e desse amor se morre!
ATIVIDADE:
01.Cada um dos três textos acima apresenta uma característica predominante que o define como pertencente ao período romântico da poesia brasileira. Quais são elas? Explique-as.
FIM
Gonçalves Dias
IV
Meu canto de amores,
Guerreiros, ouvi:
Sou filho das selvas,
Nas selvas cresci;
Guerreiros, descendo
Da tribu tupi.
Da tribu pujante,
Que agora anda errante
Por fado inconstante,
Guerreiros, nasci;
Sou bravo, sou forte,
Sou filho do Norte;
Meu canto de morte,
Guerreiros, ouvi.
Já vi cruas brigas,
Da tribus imigas,
E das duras fadigas
Da guerra provei;
Nas ondas mendaces
Senti pelas faces
Os silvos fugaces
Dos ventos que amei.
Andei longes terras
Lidei cruas guerras,
Vaguei pelas serras
Dos vis Aimorés;
Vi lutas de bravos,
Vi fortes - escravos!
De estranhos ignavos
Calcados aos pés.
E os campos talados,
E os arcos quebrados,
E os piagas coitados
Já sem maracás;
E os meigos cantores,
Servindo a senhores,
Que vinham traidores,
Com mostras de paz.
Aos golpes do imigo,
Meu último amigo,
Sem lar, sem abrigo
Caiu junto a mi!
Com plácido rosto,
Sereno e composto,
O acerbo desgosto
Comigo sofri.
Meu pai a meu lado
Já cego e quebrado,
De penas ralado,
Firmava-se em mi:
Nós ambos, mesquinhos,
Por ínvios caminhos,
Cobertos d'espinhos
Chegamos aqui!
(...)
CANÇÃO DO EXÍLIO
Gonçalves Dias
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá;
As aves, que aqui gorjeam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar - sozinho à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
SE SE MORRE DE AMOR
Gonçalves Dias
(...)
Amor é vida; é ter constantemente
Alma, sentidos, coração - abertos
Ao grande, ao belo; é ser capaz
d'extremos,
D'altas virtudes, te capaz de
crimes!
Compr'ender o infinito, a
imensidade,
E a natureza e Deus; gostar dos
campos,
D'ave, flores, murmúrios
solitários;
buscar tristeza, a soledade, o ermo,
E ter o coração em riso e festa;
E à branda festa, ao riso da nossa
alma
Fontes de pranto intercalar se
custo;
Conhecer o prazer e a desventura
No mesmo tempo, e ser no mesmo
ponto
O ditoso, o misérrimo dos entes:
Isso é amor, e desse amor se morre!
ATIVIDADE:
01.Cada um dos três textos acima apresenta uma característica predominante que o define como pertencente ao período romântico da poesia brasileira. Quais são elas? Explique-as.
FIM
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